nov 21 2008
Comércio Católico
Dia desses, a pedido dos meus pais, fui até a nossa Catedral aqui de Uruguaiana para pedir a inclusão do nome de meu falecido irmão na missa em intenção das almas, segundo a liturgia católica.
Esperei um pouco na salinha atendida por uma secretária e logo, muito solícita, ela perguntou-me o nome completo dele, anotou em um caderninho, me olhou e disse educadamente: - São dez reais, senhor!
Que a igreja católica há muito comercializa indulgências, sacramentos e bênçãos, todos sabemos.
O que me irrita é a forma solene, cândida, quase sagrada, com que essa igreja trata desse lucrativo negócio, como se o fiel estivesse cumprindo com uma obrigação civil em pagar-lhe por algo absolutamente intangível, como é o caso de uma prece ou um sacramento.
Lembro de um caso acontecido há alguns anos quando fui padrinho de batismo de um de meus afilhados: durante a cerimônia de batismo, o padre-diácono-coroinha-patife que estava ministrando a solenidade viu ingressar na nave principal da Catedral uma senhora com um bebê no colo acompanhada de outras pessoas. Logo o sujeito parou sua preleção enfadonha e inquiriu a mulher sobre se ela havia pagado as custas do batismo lá na secretaria, ao que a pobre infeliz lhe respondeu que não o tinha feito pois esteve por duas vezes no local e este estava fechado. O que fez o canalha? Olhou para a mulher e, em meio a todos os presentes, disse-lhe que iria fazer uma “exceção” pois sem pagar as custas ninguém poderia ser batizado ali. Na verdade, em qualquer outra circunstância que não envolvesse bebês de colo, eu teria feito um escândalo tão grande que faria a estátua de Jesus ganhar vida e dar uma surra naquele sujeitinho afetado e desumano.
Eis aí, amigos e amigas, a Igreja de Roma, a Santa Igreja do Papa… uma instituição cada vez mais vagabunda, mesquinha e cruel, que faz de sua relação com o fiel um verdadeiro balcão de negócios.
PS.: Para alívio dos evangélicos - muitos leitores desse blog - aqui está a prova de que em matéria de religião esse que vos escreve não tem qualquer pudor em revelar-lhes os maiores absurdos cometidos na exploração da fé alheia, seja qual for o dogma.



